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Porto de Búzios com barcos coloridos e Igreja de Sant’Anna ao fundo
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Praia dos Ossos: A História Macabra Por Trás do Nome (e Por Que Você Vai se Apaixonar)

Entre 1730 e 1816, as areias desta praia estavam cobertas por ossadas de baleias. Hoje, é um dos cartões-postais mais charmosos de Búzios.

18 de maio de 2026

O nome assusta, mas o cenário é dos mais delicados de Búzios. Barquinhos coloridos ancorados em águas calmas, casas coloniais de pescadores, uma igreja do século XVIII no alto e o som tranquilo das ondas batendo nas pedras. Bem-vindos à Praia dos Ossos — e à história que poucos turistas conhecem.

🐋 De onde vêm os ossos?

A explicação mais aceita pelos historiadores conecta o nome à atividade que deu origem à própria cidade: a caça às baleias. Entre 1730 e 1816, Armação dos Búzios funcionou como uma das principais bases baleeiras do litoral fluminense. As baleias eram capturadas no mar aberto, levadas para a Praia da Armação — onde havia uma estrutura de madeira chamada "armação" para processar a carne e o óleo — e os restos mortais, principalmente as enormes ossadas, eram descartados na praia vizinha.

Essa praia vizinha é a que hoje chamamos de Praia dos Ossos. Diz a tradição local que, em certas épocas, as ossadas chegavam a cobrir toda a faixa de areia. O nome pegou e atravessou três séculos.

💡 O nome "Armação dos Búzios" vem exatamente dessa estrutura de pesca baleeira: a armação de madeira usada para abater e processar os cetáceos.

⚔️ A versão alternativa (e sombria)

Existe uma segunda versão para o nome, menos divulgada e mais densa. Segundo essa interpretação, os ossos encontrados na praia seriam humanos — restos mortais de indígenas Tupinambás executados durante a colonização portuguesa, no século XVI.

O contexto histórico dá sustentação à hipótese: em 1575, o exército português derrotou os franceses pela posse da região e, no processo, massacrou cerca de 10.000 índios Tupinambás, que conviviam pacificamente com os franceses. Difícil saber qual versão é a verdadeira. Talvez sejam as duas — em momentos diferentes, no mesmo lugar.

⛪ A Igreja de Sant'Anna: o monumento esquecido

Em um pequeno monte que dá para a praia, ergue-se a Igreja de Sant'Anna, construída a partir de 1740. É uma das construções mais antigas de Búzios e uma testemunha silenciosa de todo esse passado. A capela é típica do período da pesca baleeira, com arquitetura colonial simples e bem preservada.

Visitá-la é gratuito e leva poucos minutos. Vale a pena subir, especialmente no fim da tarde — a vista da praia e do mar é uma das mais bonitas de Búzios.

🛶 Como é a praia hoje

Não há mais ossadas — apenas memória. A Praia dos Ossos hoje é um refúgio bucólico, frequentado por uma tradicional colônia de pescadores que ainda subsiste da pesca artesanal. Os barcos coloridos ancorados na enseada são imagens icônicas, presentes em quase todos os cartões-postais da cidade.

Diferente do que muitos pensam, a praia é totalmente segura para banho. As águas são calmas, ideais para crianças e para a prática de stand up paddle, caiaque e snorkel. A diferença em relação às praias mais badaladas é justamente esta: aqui, sossego está garantido, mesmo em alta temporada.

📍 Como visitar

A Praia dos Ossos fica a poucos minutos a pé da Rua das Pedras e da Orla Bardot, no centro de Búzios. A caminhada pela orla arborizada é uma das mais agradáveis da cidade. Quem prefere ir de carro deve saber que o estacionamento na região é limitado.

É também o principal ponto de partida para as praias vizinhas Azeda e Azedinha, acessíveis por uma trilha curta com escadaria de 236 degraus, ou pelos táxis marítimos que ancoram aqui.

⛵ A Praia dos Ossos no passeio de escuna

No nosso passeio de escuna, a Praia dos Ossos é a primeira aparição visual logo após a saída do Píer do Centro. Você vê os barquinhos coloridos, a igreja no alto do morro e tem a perspectiva privilegiada do mar — exatamente o ângulo que os pescadores conhecem há três séculos.

Saber a história não muda a beleza da praia — mas amplia o significado dela. Da próxima vez que você passar pela Orla Bardot e ver os barquinhos balançando, vai entender que está olhando para o ponto onde, há três séculos, o Brasil moldava sua história à base de remos, arpões e teimosia.


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